O que é previdência privada (PGBL e VGBL)
Previdência privada é uma forma de investimento de longo prazo pensada para complementar a aposentadoria, com aportes regulares que rendem juros compostos ao longo dos anos. No Brasil, os dois planos mais comuns são o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) e o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre).
O PGBL permite deduzir os aportes da base de cálculo do Imposto de Renda, até o limite de 12% da renda bruta tributável anual, mas só compensa para quem faz a declaração completa e contribui para o INSS ou um regime próprio de previdência. Em compensação, no resgate o IR incide sobre o valor total (aportes mais rendimento). O VGBL não permite dedução, mas no resgate o IR incide só sobre o rendimento, preservando o capital aportado da base de cálculo, o que costuma ser mais vantajoso para quem já usa a declaração simplificada ou já atingiu o limite de 12% no PGBL.
Uma diferença técnica importante em relação a fundos de investimento comuns: PGBL e VGBL não têm come-cotas, a antecipação semestral de Imposto de Renda que corrói o efeito dos juros compostos ao longo do tempo. Isso favorece quem pensa em prazos longos, como a aposentadoria.
Fórmula: como o saldo cresce e como a renda mensal é calculada
O saldo acumulado segue a lógica de juros compostos com aportes mensais, aplicada mês a mês até a idade de aposentadoria:
Com o saldo final acumulado, a renda vitalícia é a maior renda mensal que pode ser sacada indefinidamente sem reduzir o poder de compra do capital: como a taxa já é real, sacar exatamente o rendimento real do mês mantém o saldo constante em termos de poder de compra para sempre.
Já a renda por um prazo determinado esgota o capital ao final do período escolhido (uma anuidade), o que resulta numa renda mensal maior do que a vitalícia:
A expectativa de vida do brasileiro, segundo o IBGE, está em 76,6 anos em média (79,9 para mulheres, 73,3 para homens), mas é uma expectativa ao nascer: quem já chega à idade da aposentadoria tende a viver, em média, mais tempo do que esse número sugere. Por isso o prazo da renda "esgota o capital" é um campo editável, não um valor fixo.
Como calcular: passo a passo
Exemplo com os valores padrão desta calculadora: início aos 30 anos, aposentadoria aos 65, R$ 5.000,00 iniciais, aportes de R$ 500,00 por mês, rentabilidade real de 6% ao ano.
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1Converta a taxa anual real em taxa mensal composta
(1 + 6%)^(1/12) − 1 ≈ 0,4868% ao mês -
2Aplique o rendimento mês a mês, somando o aporte em cada mês
saldo = saldo × (1 + taxa mensal) + aporteRepetido 420 vezes (35 anos), chega a um saldo de R$ 725.232,42, com R$ 215.000,00 aportados e R$ 510.232,42 de rendimento. -
3Calcule a renda mensal vitalícia
R$ 725.232,42 × 0,4868% ≈ R$ 3.530,11 por mês -
4Ou calcule a renda mensal por um prazo determinado (25 anos)
R$ 725.232,42 × 0,4868% / (1 − (1,004868)⁻³⁰⁰) ≈ R$ 4.602,48 por mêsEssa renda é maior que a vitalícia porque o capital vai a zero exatamente ao fim dos 25 anos, em vez de durar para sempre.
Imposto de Renda na previdência privada: regressiva x progressiva
No resgate ou no início do recebimento da renda, é preciso escolher (em alguns planos, já na contratação) entre duas tabelas de Imposto de Renda. Nenhuma delas está incluída nos valores calculados acima.
Tabela regressiva: a alíquota cai quanto mais tempo o dinheiro fica aplicado, incentivando prazos longos:
| Tempo de permanência | Alíquota |
|---|---|
| Até 2 anos | 35% |
| De 2 a 4 anos | 30% |
| De 4 a 6 anos | 25% |
| De 6 a 8 anos | 20% |
| De 8 a 10 anos | 15% |
| Acima de 10 anos | 10% |
Tabela progressiva: a mesma tabela usada sobre salários e no carnê-leão, com isenção até uma faixa de renda e alíquotas que sobem conforme o valor sacado ou recebido por mês:
| Faixa mensal | Alíquota |
|---|---|
| Faixa isenta | 0% |
| Faixas intermediárias | 7,5% a 22,5% |
| Faixa mais alta | 27,5% |
Na tabela regressiva, quem acumula por décadas até a aposentadoria (como no exemplo desta calculadora, com 35 anos de acumulação) tende a se beneficiar da menor alíquota, 10%, sobre a base tributável.
PGBL ou VGBL: qual escolher
Como regra prática: quem faz a declaração completa do Imposto de Renda e contribui para o INSS ou um regime próprio tende a se beneficiar do PGBL, aportando até 12% da renda bruta tributável anual para aproveitar a dedução. Quem usa a declaração simplificada, é isento de IR ou já atingiu o limite de 12% no PGBL, tende a se beneficiar mais do VGBL, já que o imposto no resgate incide só sobre o rendimento. Não é incomum combinar os dois: PGBL até o limite de 12%, e o restante do plano de aposentadoria em VGBL.
O que essa simulação não inclui
Esta calculadora simula só a acumulação e a renda potencial de um plano de previdência privada (ou qualquer investimento equivalente com aportes mensais). Ela não inclui: o Imposto de Renda no resgate ou na renda mensal (que depende do regime e do tempo de cada aporte, explicado acima); a taxa de carregamento, cobrada por alguns planos sobre o valor aportado (na entrada, na saída ou nas duas, nunca sobre o rendimento, e cada vez mais rara nos planos modernos); a taxa de administração anual sobre o patrimônio, cobrada pela maioria dos fundos de previdência; e o benefício do INSS, que segue regras públicas próprias e não faz parte desta simulação.
Perguntas frequentes
PGBL ou VGBL: qual a diferença?
O PGBL permite deduzir os aportes na declaração do Imposto de Renda, até o limite de 12% da renda bruta tributável anual, mas só compensa para quem faz a declaração completa e contribui para o INSS ou regime próprio. No resgate, o IR incide sobre o valor total (aportes mais rendimento). O VGBL não permite dedução, mas no resgate o IR incide só sobre o rendimento, preservando o capital aportado da base de cálculo.
Essa calculadora já desconta o Imposto de Renda da renda mensal?
Não. Os valores mostrados são brutos, antes do Imposto de Renda. O IR na previdência privada depende do regime escolhido (progressivo ou regressivo) e de quanto tempo cada aporte ficou aplicado, o que varia de pessoa para pessoa. Consulte as tabelas de referência no conteúdo desta página.
Como funciona a tabela regressiva de Imposto de Renda?
A alíquota cai conforme o tempo de permanência do dinheiro no plano: 35% até 2 anos, 30% de 2 a 4 anos, 25% de 4 a 6 anos, 20% de 6 a 8 anos, 15% de 8 a 10 anos e 10% acima de 10 anos. É vantajosa para quem pensa em prazos longos, como a aposentadoria.
Por que a taxa de rendimento é "real" e não uma taxa de mercado comum?
Taxa real é a taxa acima da inflação. Usar uma taxa real permite mostrar o resultado em poder de compra de hoje, sem a ilusão de um número nominal gigante depois de décadas de inflação acumulada. O Tesouro IPCA+, considerado de baixo risco, paga hoje algo entre 7% e 8% de juro real ao ano, dependendo do vencimento; o valor pré-preenchido nesta calculadora é mais conservador, editável para o cenário que você considerar razoável.
Previdência privada substitui a aposentadoria do INSS?
Não necessariamente, ela é normalmente um complemento. Esta calculadora simula só a parte de acumulação privada (PGBL, VGBL ou outro investimento com aportes mensais), sem incluir o benefício do INSS, que segue regras próprias e depende do tempo de contribuição e das regras vigentes na data da aposentadoria.
O que é taxa de carregamento?
É uma taxa opcional cobrada por alguns planos de previdência sobre o valor aportado (na entrada, na saída ou nas duas), nunca sobre o rendimento. Não existe um percentual padrão, cada instituição decide se cobra e quanto. Boa parte dos planos modernos já não cobra taxa de carregamento, e essa é uma das primeiras perguntas a fazer antes de contratar um plano.